As palavras são mágicas. Sem elas, não nos comunicaríamos. Pensando nessa magia, e em homenagem a um amigo, Master Lemon: The Quest for Iceland é um jogo brasileiro sobre o poder da amizade e das palavras.
Sobre Master Lemon: The Quest for Iceland
Andre Lima, o Mestre Limão do título, era um hiperpoliglota apaixonado por línguas, cujo sonho era se mudar para a Islândia. Ele conseguiu realizar seu sonho, mas morreu num acidente de carro por lá em 2016.
Seu grande amigo, Julio Santi, cineasta e Mestre em Literatura, decidiu transformar o luto em homenagem, e assim a Pepita Games, parte da Pepita Digital, estúdio co-criado por ele, passou três anos desenvolvendo Master Lemon: The Quest for Iceland.
Durante as exibições de demos e festivais, o jogo recebeu o prêmio de Melhor Jogo de Aventura no Overcome Film Festival e 10 prêmios no Nyxx Games Awards, tendo chegado aos PCs em 04 de novembro e para os consoles pouco depois no mês passado.
História
Limão é um aventureiro apaixonado por histórias. Um dia, quando estava se ajeitando para ir para sua viagem dos sonhos, ele começa a ter visões até que é transportado magicamente para outro lugar, o Reino dos Bashires.
Lá, ele descobre que as sombras estão apagando a herança linguística do mundo, ameaçando chegar no nosso planeta e apagar todas as memórias culturais da humanidade. Como hiperpoliglota, ele recebe o poder do Ratljóst, o raio de luz, e passa a limpar as sombras, descobrindo palavras de diversos idiomas no processo. Conforme ele recupera as palavras, ele descobre que elas são feitiços, e pode usá-las para ajudar os Bashires a recuperam suas memórias.
Visitando memórias da vida de Limão, você navega pelas palavras de 25 idiomas diferentes, usando as palavras para unir, resolver problemas e entender o mundo ao seu redor, enquanto coleta relíquias de diversas culturas numa obra cheia de brasilidade.
Neste jogo, quando as palavras não são suficientes, o maior poder de todo brasileiro entra em ação: a Gambiarra. Combinando itens aleatórios, você consegue criar novas coisas para vencer obstáculos. Uma TV precisa ser ligada, mas há muitos fios e está longe da tomada? Bote um benjamim em outro, ligue uma extensão na outra, e voilà, a sala pode ver TV agora. Uma porta está fechada? Grude um garfo num guarda-chuva, e abre-te-Sésamo!
Entre o Jardim de Palavras Intraduzíveis, onde você cultiva flores e descobre palavras únicas de idiomas específicos, adolescentes que lidam com seu luto e mestres de sushi sem faca, há muitas missões paralelas para te manter entretido antes de decidir seguir para o inevitável fim: Limão será capaz de sacrificar seu sonho para salvar os universos? E qual é o verdadeiro poder das palavras?
Master Lemon: The Quest for Iceland tem uma história profunda e cheia de sabedorias de diferentes culturas. Trata com respeito cada uma delas, traz seus alfabetos, vocabulários e Bashires representando os diferentes povos do mundo, e ajuda a lembrar que, em tempos difíceis como os que vivemos, em que tantas palavras são usadas para ferir, também podemos usar o poder delas para unir, acolher e curar. É uma história inspiradora e emocionante que, embora curta, tem uma profundidade que genuinamente me surpreendeu. Muitos momentos me fizeram parar e respirar fundo para refletir. E como professora de idiomas e alguém que estuda vários deles, aprendi muitas palavras novas, e me motivei real a retomar esses estudos.
Jogabilidade
Master Lemon and the Quest for Iceland é um jogo de aventura e exploração com quebra-cabeças para serem resolvidos usando as palavras.
Seu poder principal, o Ratljóst, te permite liberar novas áreas das ilhas que você está explorando. Essas áreas liberam novas palavras, que te permite ter mais poder. Conforme seu poder aumenta, você consegue usar o Ratljóst para limpar áreas mais sombrias, até conseguir limpar todas as sombras das ilhas dos Bashires.
Depois que você desbloqueia o poder da Gambiarra, vários puzzles do jogo exigem que você entenda exatamente quais dois itens precisam ser combinados para conseguir o que você precisa para ajudar alguém ou recuperar parte da memória do Limão.
Há vários Bashires que representam conceitos únicos de culturas diferentes, e quando você chega perto deles, o prompt para dizer a palavra mágica surge, e você pode ajudar cada Bashir a se lembra de quem é. Conforme você os ajuda, ganha itens que te permitem seguir a jornada ou relíquias, que são colecionáveis que você acumula na sua biblioteca.
Ao falar com as pessoas ou chegar nos pontos em que precisa dos itens, um prompt aparece para você usar o item, já que ele abre sua mochila automaticamente, você só precisa selecionar o que precisa. O jogo é cheio de elementos de qualidade de vida: apesar de ter várias palavras aprendidas, você só vai ter como opções quando precisa usar a magia das palavras aquelas que vão ter algum efeito naquele ponto em específico. Por isso, é importante você prestar atenção à runa no canto inferior direito da tela, ela vai te avisar quando pode usar magia.
Não há lutas ou cenas de ação, não é preciso nenhuma habilidade para guiar Limão pelo cenário, e a movimentação e jogabilidade é altamente intuitiva: mesmo pessoas com pouca experiência em jogos vão conseguir jogá-lo tranquilamente.
Isso não significa que não haja desafios: embora você não vá ter muita dificuldade para avançar na história, se quiser fazer 100% terá que quebrar a cabeça para descobrir quais combinações de gambiarras precisa para conseguir algumas coisas, e também quais palavras precisam ser faladas para quais Bashires.
O jogo tem muito de idas e vindas, mas não é algo que incomoda na maior parte do tempo, porque a cada vez, há algo diferente para fazer.
Parte Técnica
Master Lemon: The Quest for Iceland é uma demonstração do que pode ser feito quando há carinho, vontade e esmero. O jogo não é perfeito, ele é lento em algumas partes, especialmente quando há algumas magias usadas em cenas mais pesadas, mas não é nada que atrapalhe a experiência.
A arte pixelada é bonita, e as personagens são bastante expressivas e diferentes, apesar dos poucos pixels disponíveis.
Destaque especial pras cutscenes, que, tirando os poucos momentos em que o Julio real aparece, são totalmente pixeladas também, e dubladas em português e inglês.
Aliás, destaque grande pra isso. Eu já analisei jogos brasileiros que não tinham a opção de português do Brasil, este jogo não só tem, como também tem um excelente trabalho de dublagem e mixagem no idioma. Em inglês, também é bacana a dublagem, e os textos são bem-feitos e bem traduzidos em todos os idiomas disponíveis.
Conclusão
Master Lemon: The Quest for Iceland é um charmoso jogo indie BR que merece sua atenção. Além de uma linda homenagem a um amigo que partiu para a longa jornada, ensina o poder das palavras, da amizade e da gentileza no mundo, tudo isso carregado de muita brasilidade.
Análise feita com cópia gentilmente cedida pela Gixer
Master Lemon: The Quest for Iceland
Editora: Pepita Digital
Desenvolvedora: Pepita Digital
Tipo de Mídia: Digital
Lançamento: 04/Nov/2025
Plataformas:



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