Um roguelike de horror com estilo de arte experimental.
Publicado pela feardemic e publicado pela NoEye-Soft, um estúdio dev indie que tem foco em jogos de horror, No-Skin chega como do estúdio e traz uma experiência diferente para o gênero roguelike com um jogo de batalhas em turnos com elementos de terror em pixel arte, junto de cenários realistas para tentar criar uma ambientação fora do convencional.
Cara, cadê minha pele?
Durante uma noite de farra, nossa protagonista, Noire, se depara com um homem sem pele (skinless man) que te pede “educadamente” para recuperar a dele ou então ele vai usar a sua, e assim vagamos por uma casa durante uma festa estranha com gente esquisita, onde podemos encontrar vários tipos de eventos, como encontrar nossos amigos e lutar contra eles, vendedores misteriosos com formas estranhas e cômodos com declarações nada convencionais. Uma verdadeira bad trip.
O sistema é bem simples: escolhemos 1 entre 3 salas, e cada uma tem chances de até 4 eventos diferentes, entre combates, lojas, encontrar itens, descansar ou algo inesperado. Ao final, ganhamos um pouco de pele e talvez mais alguma moeda da economia do jogo.

Diferentemente dos roguelikes convencionais, a escolha de sala não costuma ser para algum ganho ou melhoria de personagem; isso fica a cargo dos mercadores. Sobreviver às salas é sua maior recompensa, e saber qual escolher é essencial para isso, já que no final acaba sendo muita sorte e pouca estratégia, porque não sabemos o que vai cair até escolher. Com vida limitada, o combate pode acabar com a rodada rápido, tendo um oponente ridiculamente forte do nada. Apesar disso, dá dinheiro, enquanto os outros encontros são apenas para gastar ou não rendem nada. Pra acrescentar, a quantidade de pele parece totalmente aleatória.
O combate de No-Skin é bem resumido a um simples rpg de turno: escolhe uma ação (ataques, defesa, item ou fuga), e o oponente faz o mesmo. Os itens,, no entanto,, não passam turno, somente as outras ações, bem básico e puxado nos rpgs clássicos da era 8 e 16 bits, com animações simples, artes em pixel, mas com um cenário realista. Aliás, fico pensando aqui no trabalho para fazer esses cenários, que são fotos reais de alguma casa mal iluminada para dar um ar sombrio. Admiro esse de dedicação para criar uma ambientação assim em um jogo de terror.
Falando em terror e ambientação, No-Skin tenta te pegar com uma forma de progressão narrativa na qual fica pior conforme avançamos. Os nossos amigos vão se transformando em criaturas bizarras e falando coisas estranhas. Valeu a tentativa, mas sei lá, não assusta.

Apesar do combate ser bem desvantajoso e talvez um pouco opressivo contra o jogador, não é difícil chegar até o final, só é um pouco difícil fazer os finais diferentes mesmo. Óbvio que como todo roguelike, jogar várias vezes é fundamental para chegar a uma conclusão mas fica meio difícil entender como fazer isso; apesar do objetivo claro de entregar pele para o estranho sem pele, nem sempre será ele que você encontrará no final, o que novamente mostra que a sorte parece ser o maior fator em No-Skin.
Não sou muito de jogos de terror, mas gosto de indies que têm uma pegada de tentar conversar com o jogador, fazendo-o pensar um pouco na forma em como se deve jogar, mas acho que No-Skin não conseguiu me entregar essa mensagem. A falta de uma tradução em português pode ter ajudado nisso, mas no geral é meio maçante o ciclo de tentativa e erro do jogo. Tenho certeza de que o combate não é só bater nos amigos, afinal são seus amigos, e até consegui evitar batalhas com alguns, mas não fui além disso e sempre acabei em um final falso. Tentei, mas a mensagem aqui passou longe e tudo que entendi é que alguém deu algo muito doido pra eles, e estão todos tendo crises existenciais.

Parte técnica
No-Skin não tem como não rodar bem usando tão poucos recursos. Seus gráficos misturam pixel arte e fotos reais, e com inimigos estáticos, não cansam o console. Novamente, quero destacar a ambientação que é muito boa e adicionar que os design mais monstruosos são bem incríveis, apesar de não assustarem tanto.
A trilha sonora é bem imponente e dá o tom de terror de verdade. Músicas com tons que parecem se arrastar nos seus ouvidos e perduram por vários segundos, como um arrepio passando pela espinha, além de efeitos de distorção que criam sons que parecem sussurros fantasmagóricos e, de vez em quando, apenas um vento soprando de forma sinistra.
O que mais pesou aqui é que o ciclo de repetição de roguelike não casou bem com a ideia do jogo, porque as escolhas que parecem não ter recompensas e a falta de orientação deixam o jogo cansativo. Para uma bad trip, nem parece tão imersivo, pensando agora, e me fez gastar mais tempo escolhendo para onde ir do que qualquer outra coisa.


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