Suba seu tom para chegar ao topo de Acordia.
O Iridium Studios, em parceria de distribuição da Annapurna Interactive, lança People of Note, um RPG musical onde não é apenas no combate que é sobre música; é tudo!
O povo de Acordia vive, respira, come e veste música. É um mundo musical, com direito a uma competição que escolhe a voz do povo; a ambientação aqui é sem igual.
Claro que, com a música sendo tão importante para esse mundo, nossa protagonista Cadence não busca nada mais do que o topo das paradas e ser a maior estrela de Acordia e, para isso, precisa vencer o maior concurso de talentos da sua cidade, mas as chances não estão a seu favor, já que a mesma boyband Smolder ganha há quase uma década.
Sem muita chance, Cadence sai mundo afora atrás de formar um grupo capaz de destronar o reinado dos Smolder. E, já que estamos em um RPG, é claro que isso escala muito alto. O show de talentos é mais do que isso, e agora o destino do mundo está nas mãos de Cadence e seu grupo, que precisam evitar uma catástrofe com o poder da música.

A evolução do enredo é até bem trabalhada: no início, parece que Acordia é tudo o que existe ali, mas vemos que o mundo é bem maior do que se imagina. Cada nação tem seu estilo dominante, e é bem interessante conhecer todos eles. Tudo isso, somado à localização em português, dá uma boa ambientação, já que a equipe se preocupou em adaptar e traduzir diversas piadas e gírias relacionadas a músicas e à teoria musical, sem falar da dublagem em inglês em boa parte das falas e, claro, de clipes musicais. Mas ficou faltando integrar tudo isso no principal, na jogabilidade.
People of Note é um RPG de turno onde usamos uma escala de compasso para determinar a quantidade de ataques e pontos de batalha com um equivalente a mana, onde nos turnos de ação podemos escolher não fazer nada para recuperar esses pontos, ao invés de agir ou gastá-los, não temos itens para cura, pois a cada batalha recuperamos toda a vida e a mesma quantidade de pontos de batalha que podemos ter de acordo com o personagem e equipamento. Uma medida acessível, e até eficiente, para quem acha RPG de turno um pouco pesado pra se jogar se você tem pouco tempo disponível. Inclusive, se você quiser abaixar a dificuldade, pode até pular a batalha inteira e receber experiência por ela. Encontros aleatórios só acontecem se você quiser, mas vários cenários têm uma luta obrigatória para sair para um novo, que também pode conter desafios de quebra-cabeça. Então, mesmo que você pule as batalhas, ainda terá algo a fazer, mas também dá para remover. De início, as batalhas eram até boas; apesar de tudo ter muita vida, saber distribuir as ações para atacar ia bem, mas conforme avança, você fica tentado a pular as batalhas, já que às vezes um simples grupo de inimigos pode te tirar uma boa meia hora, e é aqui que começa o problema.
O sistema de caverna é bem diferente: além de não ter encontros aleatórios, as batalhas dentro dos ambientes de combate costumam conceder vinis para comprar itens que podem ser trocados ali dentro, e esse é um dos poucos incentivos para batalhar. O outro é a experiência, que vem bem devagar contra inimigos comuns e, se você somar com a velocidade das batalhas, é um ritmo bem lento e precisa ser bem orquestrado. Os ataques não são muito fortes, o que nos leva a usar as habilidades, que custam pontos, que às vezes são bem altos, e em todas as batalhas, você vai acabar lidando com algum modificador pra te atrapalhar em alguma coisa. Por isso, uma batalha simples pode demorar um tempo, e batalhas de chefe podem demorar mais do que o esperado, principalmente se ele não estiver sozinho, e raramente ele está.

Apesar de todo o tema musical no resto de People of Note, o combate desaponta na hora de aplicar esse conceito; tudo o que envolve música é bem limitado. Os ataques são apenas botões parecidos com quick time events; os ataques em grupo (mashups) têm uns sons bem genéricos e são bem pouco úteis e, apesar de serem um dos poucos recursos que se mantêm em batalha, os chefes sempre os tiram de você no início da luta.
Outro ponto que contribui é a demora para juntar os membros da banda, que, mesmo que você já tenha conseguido ele na sua equipe no capítulo, ainda vai demorar um pouco para ter acesso ao mashup dele, para aí saber o que ele faz.
O enredo é bem bom, mesmo sendo um pouco repetitivo no meio, quando reunimos os membros da banda, em que há um ciclo de ir atrás de uma pessoa e precisar da ajuda de outra para isso, e, no final, ela se junta a gente. Esperava uma variedade maior na banda: dois cantores, um guitarrista e um DJ. É uma composição bem pequena, mas deve ser a preferência dos criadores.
Parte técnica
People of Note chega como exclusivo do Nintendo Switch 2 e não tem versão para o 1, o que já coloca uma boa qualidade gráfica, feita toda em 3D e com clipes musicais em alta definição. As cenas são em imagens 2D muito bem detalhadas. Não tem no que pôr defeito aqui.
A trilha sonora é o ponto alto claro. Apesar de nem todos os gêneros serem de gosto pessoal, as músicas funcionam muito bem no mundo de People of Note e, mesmo que não goste, tem sempre uma jukebox em cada local para mudar as trilhas sonoras. Os estilos são bem variados: techno, pop, rap, rock e até música clássica. Tem espaço para todos.
A jogabilidade para além do RPG de turno é boa até. Não lembro da última vez que um jogo 3D deixou usar tanto o analógico quanto os botões direcionais para movimentação. No mundo externo, há poucos comandos e dá para entender, mas, mesmo sem função, são poucos os que fazem isso. E ajuda bastante nos desafios de quebra-cabeça, que não são dos piores, mas poderiam ter sido melhor apresentados e explicados, principalmente o do cenário dos corais.
People of Note
Editora: Annapurna Interactive
Desenvolvedora: Iridium Studios
Tipo de Mídia: Digital
Lançamento: 07/Abr/2026
Plataformas:



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