Final Fight e Streets of Rage dominaram o mercado de beat ‘em ups no passado, mas aqui no Brasil, teve um jogo do gênero produzido pela Jaleco que ficou relativamente conhecido no Super Nintendo: Rival Turf.
Apesar disso, muita gente em território nacional desconhece que o jogo teve duas sequências (ainda no Super Nintendo): Brawl Brothers e The Peace Keepers. A falta de conhecimento é justificada, já que aqui no ocidente, além dos nomes dos títulos alterados na série, houveram drásticas mudanças na história, inclusive no nome dos personagens.
No país de origem, o jogo sempre foi conhecido como Rushing Beat, e teve uma história (mesmo que simples, como quase todo beat ‘em up) mais consistente. E agora, 33 anos depois, é lançada uma sequência direta.

Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers conecta todos os jogos da série
O início narra a história dos três primeiros jogos, assim conectando com a narrativa do novo título. Tudo é narrado com imagens dos clássicos de Super Nintendo, trazendo uma nostalgia ímpar para o jogo.
Inicialmente, é possível escolher três personagens após o tutorial, sendo eles os dois heróis do primeiro jogo, Rick Norton e Douglas Bild (ou como conhecemos aqui no Brasil devido a versão ocidental, Jack Flak e Oozie Nelson), além da nova protagonista, uma sobrevivente dos jogos anteriores, Kahlua.
A produção teve um cuidado especial em conectar tudo de forma interessante e trazer uma nova narrativa divertida para a série, inclusive fazendo alguns trocadilhos muito inteligentes. Acha repetitivo os inimigos dos beat ‘em ups? Cuidado, pode ser um exército de clones!

A cidade de Neo-Cisco (uma versão alternativa da cidade de São Francisco) está passando por apuros novamente devido a liberação do Zika vírus… errr, digo, do Zeekus Virus, que desperta habilidades nos seres humanos.
Há um plano maléfico por trás de tudo isso e cabe ao jogador acabar com essa ameaça usando os novos e clássicos personagens da série. É uma narrativa rápida para um jogo que tem um cuidado especial com sua história, sem levá-la muito a sério, mas ao mesmo tempo respeitando suas origens. E para complementar o carinho com a história, outro ponto positivo é que Rushing Beat X RoBB conta com uma ótima trilha sonora.
Como se não bastasse, o jogo investiu bastante na direção de arte, que traz modelos 3D e cenários bem coloridos, como uma identidade linda que lembra um pouco Persona 5, especialmente o vilão. O jogo possui muitos efeitos bonitos e onomatopeias que surgem na tela no maior estilo quadrinhos. É notável o carinho e o cuidado com que a equipe tratou a IP, especialmente no estilo artístico e nos movimentos de cada personagem e inimigo.

Socos e chutes de montão
Se você adora beat ‘em ups como eu, sabe que as plataformas da Nintendo estão repletas deles por aí, sejam indies ou de empresas famosas.
Na grande maioria dos casos, eles são divertidos, porém, o próprio gênero é simples, o por mais que tenham mecânicas legais, demora para surgir um que realmente faça a diferença e que redefina o gênero a ponto de não ficar parado no prateleira após algumas horas de jogatina.
O último caso que tivemos de um jogo revolucionário assim foi Streets of Rage 4, da Sega, que além de tudo, encontrou um balanço e uma jogabilidade tão arrojada que é divertido de se jogar até hoje.
Me alegro em dizer que Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers quase chega no nível de cuidado de Streets of Rage 4. Quase.

Como informado, o jogo possui um pacote completo: a arte é linda, colorida e carismática, bem única para um beat ‘em up. Há um cuidado imenso nos cenários, que possuem ângulos diferentes para dar mais diversidade, as músicas são empolgantes além de ter uma boa variedade estética de inimigos.
Na jogabilidade, os movimentos são lindos, fluidos e rodam sem travamentos. Cada personagem tem seu diferencial e a quantidade de golpes, além de outras mecânicas como especiais, parry e agarrões que trazem um valor muito alto para o jogo, além do que estamos habituados a ver nos tantos beat ‘em ups por aí. A forma de atacar é um tanto interessante também. O jogador deixa pressionado o botão de ataque enquanto muda a direção usando o analógico/direcional para alterar os golpes, seja para lançar o oponente ao ar e fazer um combo aéreo, seja para fazer um ataque forte e afastar o oponente.
No entanto, ele falha em um ponto crucial, que é no balanço. Streets of Rage 4 se destaca por que além de desafiador, as técnicas dos inimigos possuem características próprias, que exigem mudança de tática toda hora, e manter um combo alto é sempre um desafio fluido e desafiador, porém justo.
Em Rushing Beat X ocorre o contrário. O jogador possui muitas mecânicas divertidas, mas que facilitam muito o jogo, porque apesar da variedade de inimigos, a grande maioria é derrotado da mesma forma, incluindo chefes. Além de deixar o jogo fácil, a falta de desafio e de apetrechos para fazer cada inimigo único em relação a cada personagem faz do jogo um simulador de andar pra frente e socar com quase nenhuma estratégia.

Além disso, o jogo dá a opção de encontrar e comprar itens de cura que podem ser armazenados, e o mesmo é possível com as armas, o que deixa o jogo ainda mais fácil.
Em resumo, enquanto o jogo possui peso, fluidez e uma variedade de opções, a falta de estratégia para se derrotar inimigos ou desafio em acertar golpes e combos de forma desafiadora e continua fazem com que todas essas mecânicas caiam por terra.
É uma pena, porque o jogo é realmente bem desenvolvido. Caminhos alternativos, personagens carismáticos, uma história consistente porém que não se leva tão a sério, golpes especiais, parry, personagens com características próprias… todo o jogo tem uma dinâmica bem pensada, mas que cai por terra por ter uma dificuldade vazia, inimigos com IA limitada e padrões similares.

Divertido de jogar com os amigos
Com suporte a dois jogadores, é possível jogar via GamShare para se divertir com os amigos e, se você é fã da série, no Switch tem uma vantagem: os três jogos anteriores (Rival Turf, The Brawl Brothers e The Peace Keepers) estão disponíveis no Nintendo Switch Online através do Virtual Console de Super Nintendo.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora.
Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers
Editora: Clear River Games
Desenvolvedora: City Connection
Tipo de Mídia: Cartucho, Digital
Tamanho do Arquivo: 2.9 GB
Lançamento: 19/Mar/2026
Plataformas:
Opções de Compra:
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