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Análise

Análise – Starbites

por Ary Luz
15 de maio de 2026 às 13:01
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É sempre bom ver um novo nome no mercado de jogos, e Starbites chega em breve para tentar colocar o seu na prateleira de jogos de RPG de turno. Será que voa, ou se perde no deserto?

Sobre Starbites

A Ikinagames é uma empresa coreana de desenvolvimento de jogos com já alguns no currículo, o mais conhecido deles sendo a Visual Novel All of Us are Dead. 

Em agosto do ano passado, foi anunciado que, em parceria com a NIS America, lar de franquias como Disgaea, Ys e Trails, além do recente Etrange Overlord, Starbites seria lançado para todas as plataformas. O jogo foi originalmente lançado no Japão em outubro, para Nintendo Switch e PlayStation 5, e chegará a todas as plataformas ocidentais, incluindo o Nintendo Switch, no próximo dia 21 de maio.  

O jogo recebeu também uma versão física de luxo que contém artbook, chaveiros, adesivos e mais algumas coisinhas. 

A versão do Nintendo Switch 2 deveria sair junto, mas foi adiada, e ainda não tem data definida, além de ter tido sua versão de luxo cancelada, pelo menos, por enquanto.

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História

Bitter é um planeta parecido com a Terra, num futuro distante pós uma guerra espacial. Cheio de tecnologia descartada e de pessoas vivendo do que conseguem pegar de sucata, todo mundo precisa de mechas para se mover de um lugar a outro fora dos prédios seguros. 

Neste mundo, que é onde acontece a história de Starbites, conhecemos Lukida, nossa protagonista. Ela é uma mulher jovem e cheia de vontade de viver, mas que tem uma dívida enorme com Fennec, a dona de Delight, cidade que serve como porto seguro para a humanidade, e dona também da maior empresa do planeta e quem de fato manda em Bitter como um todo. A dívida de Lukida é tão grande que a piada que rola é que se ela acumulasse o dinheiro todo, poderia comprar o planeta inteiro para si. 

Lukida tem duas amizades leais ao seu lado desde o começo, Gwendoll, uma alcoólatra incurável com uma mira impecável e uma personalidade alegre e festiva, e Badger, um engenheiro de mechas com cara de mau, mas um coração ainda maior que seus músculos enormes. 

Lukida consegue um ticket para fora do planeta, e quando estava prestes a fugir, ela encontra o Titã, um mecha gigante que destrói tudo pelo caminho, inclusive a chance dela de escapar daquele lugar amargo de se viver. 

Após a decepção de não conseguir fugir, ela se conforma em tentar resolver os problemas mais presentes do planeta, e descobre que a Rockbot, uma espécie de gangue, está atacando e roubando cargas. Ao investigar as areias das grandes áreas desérticas de Bitter, Lukida se vê cada vez mais enredada numa trama tão difícil de escapar quanto as garras de Fennec. 

Após uma série de eventos insalubres, ela adiciona mais três pessoas à sua trupe de desajustados: Makobo, uma criança-prodígio da engenharia com invenções mirabolantes que resolvem tantos problemas quanto podem causar, além de Jerome e Marie, uma dupla de mercenários que salva Lukida e sua patotinha da morte certa nas mãos da Bruxa, uma mecha ancestral que já quase destruiu Delight no passado, e voltou sem nenhuma explicação aparente, trazendo de volta “à vida” mechas desativados e causando todo tipo de problemas aos viajantes. 

Apesar de ser um deserto de areia e vários nadas na sua maior área, Bitter também guarda uma área gelada e nevada, além de uma Biblioteca que mantém um bioma tropical internamente, gerenciada pelo Bibliotecário, um robô que é apaixonado por humanos, e seu melhor amiguinho irritadiço. 

Esse grupo estranho acaba virando uma equipe e, juntos, vão tentar descobrir o que está por trás de todos os problemas e, quem sabe, conseguir um jeito de pagar toda a dívida de Lukida ou de ela fugir de Bitter. 

A história de Starbites não é exatamente inovadora na sua base: é um mundo futurista tipo Mad Max misturado com mechas e uma jovem mulher tentando fugir do domínio financeiro de uma corporação gigantesca. Mas a maneira como é contada é, para mim, o ponto alto do jogo, especialmente porque as personagens são bem construídas, carismáticas e com várias camadas para serem desfraldadas enquanto você avança na história. 

Jogabilidade

Na superfície, Starbites parece ser um RPG de turno como todos os outros. Você monta sua party de três pessoas (com Lukida sempre na liderança, não podendo ser retirada nunca), e depois de ter mais que três, pode colocar quem não estará na linha de frente como suporte. 

Como cada personagem tem um tipo diferente de habilidade, poder e maneira de jogar, cada combinação que você faz poderá influenciar muito a maneira como o jogo se desenrola pra você, deixando algumas lutas mais fáceis ou difíceis, dependendo dos recursos que você tem à mão. 

O que diferencia Starbites de outros RPGs do estilo são duas mecânicas específicas: Drivers High e Breach.

Drivers High é a mecânica principal do jogo (acho que alguém da equipe é fã de L’Arc~en~Ciel ou Great Teacher Onizuka); ela é um marcador que vai subindo, tal qual um medidor de velocidade conforme cada personagem realiza ações e/ou recebe dano, e quando chega no limite, você pode ter um turno extra com aquela personagem, no qual pode usar um ataque normal ou uma habilidade. 

Já Breach é algo semelhante a alguns outros jogos, como Octopath Traveler. Cada oponente tem uma ou mais fraquezas, e cada ataque das suas personagens tem um tipo, incluindo as habilidades. A cada ataque que afeta a fraqueza do oponente, seu marcador de quebra reduz um ponto (ou mais, se forem ataques múltiplos), e quando chegar a 0, você quebra o oponente, já que todo mundo luta montado em mechas ou é robô aqui, e ele fica um tempo sem poder agir e recebendo mais dano. Caso você tenha alguém de suporte, ao quebrar um inimigo, essa pessoa brota na luta para usar uma de suas habilidades e ajudar a dar ainda mais dano. Inclusive, dependendo do grupo de inimigos que você vai enfrentar, pode ser uma boa mudar a formação. Eu tentei algumas até encontrar a que prefiro (Lukida, Gwenn e Makobo).

Sobre as habilidades, elas podem ser melhoradas através da árvore de talentos, que tem três níveis, e você pode escolher como montá-las. Melhor ainda, diferente de alguns jogos, nos quais cada decisão sobre como evoluir é definitiva, assustando novatos ou necessitando de algum item especial (e geralmente caro) para zerar tudo (tô olhando pra você, Final Fantasy), você pode a qualquer momento refazer sua trilha. Tá faltando ataque ou vida, ou você precisa ser mais veloz para setar um buff para sua equipe? Sem problemas, tire pontos daquela habilidade que você não usa e coloque nas estatísticas que te importam. É muito tentativa e erro em alguns pontos, mas é bem bacana.

Fora isso, a luta segue o padrão de sempre. Tem uma trilha mostrando a ordem dos ataques, pra você se planejar, e você pode dobrar a velocidade das lutas se quiser (eu recomendo, mesmo 2x, ainda acho lentas depois de um tempo). Pra mim, a única coisa que faltou foi uma opção de autobattle, pra quando a gente quer grindar níveis contra inimigos. Os encontros não são aleatórios, felizmente, e você pode ver os inimigos no mapa e desviar deles se não quiser enfrentar ninguém.

A movimentação pelo mapa é meio travada, mas é ok. Você pode optar por segurar o botão de maior velocidade, ou de clicar e manter ativado, que é a melhor opção, já que não há absolutamente nenhuma razão para andar, e mesmo acelerando, ainda parece devagar por causa dos longos caminhos entre algumas áreas. Mas pelo menos depois de visitar as cidades e outros pontos de segurança, você pode fazer viagens rápidas a qualquer momento, o que ajuda demais. 

Há algumas dungeons na forma de túneis e bunkers, que geralmente têm algum tipo de puzzle leve, bem leve. 

Além das missões principais, há muitas missões paralelas. Na sua maioria, elas são as famosas fetch quests, nas quais você precisa ir de um lugar a outro, pegar algo ou encontrar alguém, e depois voltar (use a viagem rápida), e elas vão te dar muito dinheiro e equipamentos melhores.

Falando em equipamentos, sua maneira de lutar vai mudar bastante de acordo com os que você usa. Cada mecha tem um core e um motor, que adicionam vantagens passivas, como ressuscitar depois de um nocaute ou dar contra-ataques quando atingido, além de sua arma e a parte superior, central e inferior da armadura. 

Conforme você avança, vai ser impossível derrotar certos inimigos sem melhorar seu equipamento, e às vezes, especialmente nas armas, você vai querer uma diferente por atributos específicos. Não vou fazer spoilers, mas quando você encontrar inimigos com defesa altíssima, por exemplo, você pode querer uma arma que dê menos dano, mas tenha uma taxa de crítico maior.

Parte Técnica

Aqui é o maior pecado do jogo e o que vai, ao menos no Switch, limitar a qualidade da experiência. Pelo que consultei, em outras plataformas, o jogo parece bem mais bonito, então, a versão do Switch 2 deve ser bem melhor, mas a do Switch base sofre muito. 

Primeiro que o jogo é bem menos polido visualmente do que o trailer e as imagens de divulgação demonstram. Apesar dos modelos em 3D serem bem feitos e cheios de personalidade, a renderização no Switch não é das melhores. Os cenários também ficam borrados, e em algumas partes, como em portas e fundos, você consegue basicamente contar os pixels. 

Isso seria aceitável se resultasse num desempenho excelente, mas não é o caso. O jogo promete 30 fps constantes, mas isso não é a realidade em várias áreas. E às vezes, nem importa o quanto de coisa está acontecendo na tela. Em certos momentos, até iniciar um combate ou ver a animação dos moves (que não achei jeito de pular) leva uns segundos para começar. Em vários momentos, achei que o jogo tinha travado, pra vê-lo continuar. 

Eu também tive pelo menos 3 momentos nos primeiros 3 Atos (que é o que podemos falar nesta review antes do lançamento) em que, ao ir de uma área pra outra, eu encontrei a tela preta da morte. Como o jogo salva constantemente de maneira automática, não perdi muita coisa, mas uma das vezes foi logo depois de uma luta longa contra o chefão de área, e isso me incomodou bastante. 

Os textos são bem escritos, apesar de alguns errinhos e incoerências em algumas siglas, como AP/TP sendo misturadas de maneira que não entendi direito em algumas telas. A publisher nos informou que há um patch programado no dia do lançamento que corrigirá várias coisas nos textos e bugs, então, eu volto aqui pra atualizar essa parte se as mudanças forem significativas depois do lançamento oficial. Se o texto não for atualizado, é porque as atualizações não mudaram significativamente os problemas mencionados. 

Indo para o lado positivo, a arte base e especialmente as inserções 2D, quando aparecem, são bem feitas. As vozes são maravilhosas, tanto em inglês quanto em japonês, e se encaixam muito bem nas personagens, e estão disponíveis em todas as cutscenes e na maioria das conversas. Eu fiquei impressionada com a quantidade de diálogos aparentemente desimportantes e NPCs esquecíveis que têm voz própria, isso adiciona muito à imersão. Normalmente, tenho uma preferência por uma dublagem ou outra, mas neste caso, fiquei alternando entre elas porque ambas são legais. Algo que não entendi direito foi terem deixado as vozes coreanas exclusivas pra versão de PC. O jogo é de um estúdio coreano, eu queria ouvir as vozes “originais”, mas não vai rolar. 

Os textos estão disponíveis em inglês, francês e japonês nos consoles, com coreano e chinês sendo, novamente, exclusivos da versão de PC. A falta de português sempre vai ser vista por mim como ponto negativo, mesmo que muita gente não se importe com isso; é um ponto que sempre vou citar. 

Os problemas individualmente poderiam ser deixados de lado se não fossem a frequência e o acúmulo deles. Parece que quanto mais avança o jogo, mais problemas aparecem e mais demora pra carregar as coisas.  

Conclusão

Starbites tem uma premissa muito bacana e adiciona algumas camadas de novidade ao saturado mercado de RPGs de turno. Apesar da história bem escrita e das personagens marcantes, especialmente a protagonista, os problemas técnicos impedem que o jogo alcance o brilhantismo que poderia ter. Apesar disso, a experiência é divertida no geral.

Análise feita com cópia gentilmente cedida pela NIS America

Starbites Keyart
Starbites
Experiência Mista
Starbites tem uma premissa muito bacana e adiciona algumas camadas de novidade ao saturado mercado de RPGs de turno. Apesar da história bem escrita e das personagens marcantes, especialmente a protagonista, os problemas técnicos impedem que o jogo alcance o brilhantismo que poderia ter. Apesar disso, a experiência é divertida no geral.
Prós
Personagens marcantes e cheias de personalidade
Mecânicas interessantes que adicionam profundidade
Trabalho de dublagem maravilhoso
Contras
Qualidade técnica sofrível no Switch
Movimentação bastante travada e muitos cenários parecidos demais
6
STARBITES
JogosCartuchoPT-BR: Não

STARBITES

Editora: NIS America

Desenvolvedora: IKINAGAMES

Lançamento: 21/Mai/2026

Plataformas: SwitchSwitch2

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Tags: AnáliseIKINAGAMESinikagamesNIS AmericaReviewSTARBITES


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