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Análise

Análise – Trash Goblin

por Igor Rangel
16 de abril de 2026 às 12:00
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Um jogo de comércio divertido e tranquilo.

Mercado de usados, quem nunca comprou algo de segunda mão na vida, não é? A equipe da Spilt Milk Studios Ltd traz uma proposta bem diferente: Trash Goblin não é um simulador, mas um jogo de comércio sem pressão, onde você vende o que acha da maneira que quer. Após uma longa espera, ele chega aos consoles da geração atual para deixar sua marca no meio dos jogos de conforto (cozy games).

[T-06]O penico de um pode ser o tesouro de outro[/T-06]

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O abismo é um lugar incrível, cheio de habitantes e visitantes que jogam seu lix…perdem seus tesouros que acabam se tornando relíquias, então por que não escavar e reformar esses achados? Com a ajuda da nossa tia que faz as escavações, temos um estoque infinito de relíquias e, graças a Aimon, sua amiga de longa data, temos nossa própria loja; um goblin tão jovem empreendendo logo cedo. É assim que começamos Trash Goblin.

A premissa é simples, e a ideia bem direta: desenterrar, limpar, reformar (não necessariamente nessa ordem) e vender o que conseguirmos tirar do abismo direto para as mãos dos habitantes da cidade, conforme suas necessidades. Às vezes suja, às vezes limpa, às vezes apenas só um braço de uma pelúcia perdida e outra vez uma panela grudada num cabo de varinha (história real).

Com sua proposta de ser relaxante, amigável e sem penalidades, Trash Goblin te deixa realmente viver o dia a dia da lojinha sem pressa. Clientes se dividem em dois tipos: os que fazem a história andar e os visitantes.
Não podemos ter mais do que um em nossa porta, então podemos dispensá-los para voltar em outro momento, se for algum da história, ou de vez, se for um visitante, que ficará na sua porta até você vender algo que ele quer, caso não seja mandado embora.
Falando em dias, o tempo voa com o trabalho; cada atividade que fazemos com nossos achados consome uma parte do nosso dia. Afinal, cinzelar, limpar e modificar são trabalhosos, mas você pode comprar ferramentas melhores que vão te salvar um pouco de tempo (na vida real, porque no dia do jogo, quase não afeta; só o acoplador vai te salvar de ter que juntar várias peças em uma atividade só).

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A ideia é bem interessante, e a proposta de ser relaxante flui bem. As relíquias são aleatórias e só descobrimos o que são após terminar de cinzelar, tirando os detritos do abismo que grudam nele e o deixam amorfo até sua revelação. Mas se algum cliente fez um pedido, tem uma boa chance de ser algo relacionado a isso, algo bem satisfatório (principalmente se você for um entusiasta de gacha), já que você não vai ficar dias a fio buscando aquela perna que falta para um boneco goblin, mas sim talvez tenha umas 3 de sobra no final porque talvez o jogo não perceba que você já fez o item, mas não entregou. Mas sem problemas, sempre podemos vender as sobras na feirinha no centro da cidade.

Como todo cozy game, não pode faltar a customização. Além das melhorias de ferramentas, também podemos decorar a loja com diversos itens, até mesmo com o que achamos e reformamos. Também podemos pintar as paredes, mudar a roupa de cama e expandir partes da loja, como o balcão ou adicionar mais prateleiras. Aliás, um toque interessante é que você pode adicionar locais onde pode deixar itens fora do seu inventário para não ocupá-lo, enquanto temos itens que aumentam seu inventário, mas que não têm espaço real na loja.
Nesse quesito, sou mais minimalista, então me ative a melhorias que me dessem mais espaços no inventário e formas de chamar a atenção dos clientes com um mostruário, mas ousei um pouco e reformei as paredes velhas da loja para dar um ar mais moderno.

Dá para se perder fácil em Trash Goblin, passar os dias achando mais e mais tesouros e fazendo todo tipo de itens de segunda mão, mas eu esperava um pouco mais de alguns sistemas, a ideia de ser sem punição é ótima, mas também parece que não tem muita recompensa. Por exemplo, temos um sistema de afinidade com as raças no qual você ganha pontos conforme vende, e podemos vender um pouco mais barato para receber mais afinidade, só que ela mesma não parece trazer vantagem, então é melhor só vender no preço cheio, que uma hora aumenta e receberemos gorjetas do mesmo jeito. Também temos um sistema de vitrine 24H que funciona enquanto passamos os dias, que só cabem dois itens, que precisam estar limpos e por um preço bem baixo que fica totalmente obsoleto depois de liberar as viagens comerciais, já que vender um item sujo lá já vale mais a pena. A velocidade do jogo não bate tanto com a quantidade de recursos oferecidos, já que a questão do tempo para realizar tarefas não enche tanto o inventário fácil, e a economia do jogo torna um pouco demorado melhorar e decorar a loja.

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Como cozy game, Trash Goblin funciona muito bem no final, mas como questão pessoal, senti falta de um pouco de estar progredindo e talvez um pouco mais de qualidade de vida. As ferramentas vão ficando mais eficientes conforme compramos, mas os artefatos também vão ficando mais complexos e difíceis, então, no final acaba tudo no zero a zero.

[T-06]Parte Técnica [/T-06]

Gosto de como o 2D e o 3D se misturam em Trash Goblin sem ficarem competindo um com o outro. Aliás, é uma característica bem comum de “jogos de loja ou balcão” serem assim: a loja é um espaço que gira em 360 graus da nossa visão, os personagens 2D são muito bem detalhados e com uma boa variedade para cada raça presente no jogo, até os visitantes aleatórios dificilmente repetem.

O 3D acompanha bem a direção artística do resto e com uma estética que tenta acompanhar o estilo desenhado do 2D sem tentar ficar muito realista e acaba dando um toque bem rústico para os itens, criando uma ideia boa de um ambiente de fantasia medieval.

A trilha sonora é bem fraca; entendo que cozy games costumam ter uma trilha mais suave e relaxante, mas Trash Goblin relaxou demais e é quase imperceptível, quase como passar o dia trabalhando em silêncio.

Os controles são predominantemente com o cursor, e até funcionam bem no console da Nintendo, mas falta um pouco de instrução em determinados momentos, entreguei muito item com peças viradas até entender como as girava ao encaixar umas nas outras, mas como não impacta nas vendas, não foi muito problema. Espero realmente uma atualização para um modo mouse no Switch 2, facilitaria muito as coisas. Uma coisa que facilita muito é estar totalmente em português.

Trash Goblin podia ser um pouco menos burocrático, mas ainda assim é bem interessante. Foi bom o tempo investido, e com certeza voltarei a abrir a loja de vez em quando.

Veredito
Trash Goblin é um cozy game bem interessante sobre administrar uma loja de usados. Falta um pouco de polimento nos recursos, mas consegue manter a essência de um jogo de conforto. É o tipo de jogo que é interessante tanto jogar quanto ver alguém jogando.
Prós
Jogabilidade sem pressão cria um ambiente bem descontraído
Fator replay sem fim
Estar totalmente traduzido ajuda muito na experiência, agrega bastante na jogabilidade e na imersão.
Contras
Recursos demais acabam se sobrepondo
Falta sensação de progressão
Alguns comandos não são intuitivos e nem fáceis de entender
7.5
Trash Goblin
JogosDigitalPT-BR: Sim

Trash Goblin

Editora: Spilt Milk Studios

Desenvolvedora: Spilt Milk Studios

Tipo de Mídia: Digital

Lançamento: 26/Mar/2026

Plataformas: Switch

Página do produtoExplorar Detalhes

Opções de Compra:

Nintendo eShop
Tags: NINTENDOSWITCHReviewSpilt Milk StudiosTrash Goblin


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