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Entre o passado e o futuro: o retorno de games que respeitam sua origem

Sim, precisamos falar de game design e Ninja Gaiden Ragebound

por Vinicius Tarouco
12 de setembro de 2025 às 08:00
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Vivemos em uma época em que virou moda trazer de volta jogos clássicos décadas depois de seus lançamentos originais. Muitos falham miseravelmente nessa fórmula, especialmente quando falamos de empresas Tripla A, que miram em pura nostalgia para fazer dinheiro com uma jogabilidade travada e pouca testada, ou em algo totalmente novo que não respeita em nada suas raízes (mas pelo menos temos a chance de ter um jogo bom quando se trata desse último).

Isso me lembra de um título e de seu sucesso: toda vez que Ninja Gaiden surge, parece que o sucesso o segue (calma, já vamos falar de Ninja Gaiden 3). A série é um perfeito objeto de exemplo para esse artigo.

Apesar do tímido Ninja Gaiden nos arcades, a trilogia no Nintendinho, e seu posterior remaster Ninja Gaiden Trilogy no Super Nintendo, foram um sucesso sem igual, trazendo uma trama, mesmo que muito fora da caixa, de forma cinematográfica e uma ação rápida e extremamente difícil.

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Pixel art é uma forma de arte que continua viva e bonita até os dias atuais.

O Reboot da série, que iniciou com Ninja Gaiden para o clássico Xbox (e teria diversas versões, inclusive em suas sequências), foi um marco de gráfico e jogabilidade, trazendo a ação e precisão de jogos de luta em um game de ação, aventura e plataforma sem paralelos.

O jogo decaiu com Ninja Gaiden 3 e com sua versão melhorada (que apesar de “melhor”, não conseguiu salvar a bagunça que NG3 é) e depois disso caiu no esquecimento.

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Não é sobre copiar a nostalgia para os tempos atuais, mas como adapta-la para as plataformas e audiências modernas.

Mas a Tecmo, mesmo com todas as controvérsias por traz da produção com seu criador Itadaki, apesar de trancar nas prateleiras, aparentemente nunca pensou em desistir da série.

Em 2025, tivemos nada menos do que três lançamentos de Ninja Gaiden: uma versão remasterizada de Ninja Gaiden 2 Sigma, o anúncio de Ninja Gaiden 4 e, o objeto desse artigo, Ninja Gaiden Ragebound.

É assim que se faz uma sequência

Ninja Gaiden Ragebound, um jogo pixelado 2D criado pela The Game Kitchen, mesma produtora de grandes títulos como Blasphemous e The Stone of Madness, é uma sequência… ou melhor, um jogo que acontece ao mesmo tempo em que Ninja Gaiden 1, de Nintendinho, ocorre.

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Um novo protagonista para o retorno as origens de um clássico game.

Enquanto Ryu Hayabusa, o protagonista da qual estamos tão habituados a controlar na série, sai em busca de vingança pela morte de seu pai após a famosa cena de luta na lua entre Jô e um misterioso Ninja, Kenji, o guerreiro do qual controlamos em Ragebound, precisa proteger a aldeia Hayabusa.

Para isso, ele precisa se aliar a uma Kunoichi do clã das aranhas negras (rivais e inimigos recorrentes da série), para salvar o mundo.

É necessário falar que o que temos aqui não é só mais um jogo indie 2D bonito de ver e fluido de jogar. Existe um senso de progressão e uma dificuldade inteligente que é raro de se ver, até mesmo em jogos triple A.

Cada movimento dos personagens controláveis é calculadamente pensando e cada habilidade adquirida no jogo tem realmente o poder de mudar as situações durante o jogo, especialmente se você buscar tirar rank S++.

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Duke Nukem Forever é um perfeito exemplo de como não trazer um clássico de volta à vida.

O cuidado e o esmero com o equilíbrio e balanço do jogo são sem paralelos. Mas não para por aí.

O que faz de Ninja Gaiden uma sequência perfeita, mesmo 37 anos depois (34 anos, se contabilizar Ninja Gaiden III – The Ancient Ship of Doom) é o conjunto. A quantidade de segredos, os níveis de acessibilidade que permitem que qualquer um possa tentar o jogo (como reduzir a velocidade, remover o empurrão após ser atingido, entre outras opções) e a incrível atmosfera fazem de Ninja Gaiden Ragebound mais do que mais um jogo de aspecto indie fluido por aí.

Acessar a loja de Muramasa, ouvir o som enquanto a lanterna brilha ao fundo ou jogar com Kumori enquanto você vê o Japão sob a chuva no fundo é sem paralelo. É como se cada cena tivesse sido cuidadosamente pensada, para que arte, jogabilidade, trilha sonora e história se juntassem para formar uma peça perfeita.

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Ragebound traz elementos posteriores ao lançamento da clássica trilogia, incorporando personagens e itens que surgiram na trilogia de reboot iniciada no clássico Xbox.

A sequência perfeita

Parece que a Tecmo e a Team Ninja aprenderem com os erros do passado após o fracasso de Ninja Gaiden 3 (da saga reboot) e soube como entregar nas mãos da The Game Kitchen a sequência do clássico. O mais novo título também traz elementos de jogos posteriores, como os besouros dourados, o próprio Muramasa, as caveiras de cristal e até os corvos nos cenários, como quando Ryu foi ressuscitado após morrer por Doku no Reboot de Xbox Clássico, estão presentes, conectando os jogos que, na linha histórica, viriam posteriormente.

Ninja Gaiden Ragebound é a prova que ressuscitar um jogo não é só trazer a nostalgia de volta. Jogos que fizeram isso falharam catastroficamente, como Duke Nukem Forever e Resident Evil 6. É, além disso, modernizar a jogabilidade, trazer não só os elementos de jogos anteriores, mas sim uma história que conecte a narrativa com o clássico para enriquecer ainda mais o universo.

E é exatamente isso que Ninja Gaiden Ragebound faz. É mais do que uma simples homenagem: é uma sequência que consegue caminhar sozinha respeitando suas origens.

Tags: ClássicosDuke Nukem Forevergame industryNinja GaidenRageboundrebootremakeRemaster


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