A batalha entre luz e trevas continua!
Aggelos 2, publicado pela PQube é a sequência direta de Aggelos, e a franquia tem clara inspiração nos jogos da série Wonder Boy da SEGA, uma franquia que começou como um simples plataforma, mas se tornou uns dos precursores do gênero metroidvania depois do seu terceiro jogo, após misturar elementos de mapas interligados, progressão de caminhos com melhorias e até transformações para o personagem principal. Até mesmo o nome do dev é uma referência a isso: WONDERBOY BOBI. Quase 10 anos após o lançamento do primeiro, muitas coisas foram aprimoradas e, assim como o jogo que serviu de inspiração, a evolução foi um pouco mais do que gráfica, mas ainda mantendo a estética 16 bits.
O retorno a Lúmen
Aggelos é nome dado à classe mais alta de anjos guerreiros e escolhido por Balro para viajar novamente ao reino de Lúmen, onde o conflito entre luz e trevas, anjos e demônios continua. Uma ameaça conhecida como dilúvio tenta mais uma vez retornar ao mundo da luz após ser selado no primeiro jogo. Séculos depois, Aggelos desce novamente a Lúmen, dessa vez para evitar que o selo se rompa. Meio como um deja vu, ele perde suas asas e armas ao chegar, porém agora ele não é o único anjo que te guia para sua nova missão.
Apesar do mesmo início conturbado, onde perdemos as asas e alguns equipamentos, logo recuperamos tudo, inclusive as asas, que no primeiro jogo só nos eram devolvidas bem tarde. Agora, 200 anos depois, o nosso Aggelos protagonista não é mais o único por Lúmen, e facilmente as recuperamos já que serão muito necessárias nessa jornada.

Apesar de uma premissa que parece repetir o primeiro jogo, a trama logo evolui um pouco quando um dos servos do dilúvio tenta corromper Aggelos, o que falha mas nos dá um novo poder: virar anjo ou demônio. Com isso, a capacidade de viajar entre o mundo da luz e das trevas no reino de Lúmen, em busca de um meio de deter o dilúvio.
Simples, direto e talvez um pouco clichê, mas nada que fuja da sua inspiração, a jornada de um nobre guerreiro em busca de salvar um reino. Com um breve resumo de acontecimentos passados no início, é quase intuitivo encontrar os objetivos, às vezes até fora de ordem. Porém caso fique perdido, o oráculo poderá te ajudar.
Considero um bom metroidvania quando dá gosto explorar, e Aggelos 2 faz isso com maestria. A infinidade de salas com desafios de plataforma que combinam os diversos tipos de habilidades encontradas ao longo do jogo é uma das melhores coisas dele, pois não é só uma sala com desafio complexo que você é obrigado a passar; é um desafio que vai te recompensar com algo útil para jornada.
A exploração do mapa dá gosto de fazer, porque ela é importante para o fortalecimento do Aggelos que, além do óbvio aumento de vida e força, temos também que aumentar a “carteira” de fragmentos de luz, que apesar de parecer te limitar por conta disso, só passa de impressão mesmo, porque a exploração vai nivelando bem, com outros coletáveis também te dando fragmentos.
Apesar daquele famoso backtracking de todo metroidvania, a questão maior em Aggelos 2 não é que eu ainda não posso passar porque não tenho poder, mas sim não posso fazer de maneira fácil, já que as habilidades coletadas são em maioria facilitadores e nem sempre ligado a um chefe. Um simples exemplo é o gancho que você recebe não muito após o início e é muito usado para subir pelo cenários verticalmente, mas se explorar um pouco, vai pegar uma melhoria que te permite mais do que grudar na parede, você vai pode escalar sem necessidade de um novo pulo. A movimentação não é a única que se beneficia da exploração, o combate, que já é muito bom, fica melhor.

O combate em Aggelos 2 é a maior prova de evolução técnica do jogo. Ele te faz usar bem todos os aspectos do personagem para lidar com as situações de combate, ao mesmo tempo que os de plataforma de forma inteligente, progressiva e sem tentar forçar uma dificuldade. De início, logo vemos alguns inimigos voadores um pouco fora do alcance até do voo do personagem, mas isso não é problema, pois o ataque da forma de anjo consegue pegar com o movimento dele. Além disso, para não depender muito de uma forma apenas, certos projéteis inimigos podem ser absorvidos com cada forma, dependendo da cor, e podem recuperar a mana de habilidades de luz e trevas, além de criar uma sustentabilidade incrível para usar magias, ataques carregados e outras coisas. Por ter percebido isso rápido, acho que quem fez o mesmo pode parecer que facilita demais o jogo, mas considerando a quantidade de vezes que morri em alguns pontos e chefes, creio que não, embora admita que alguns chefes poderiam ser um pouco mais criativos do que apenas fazer um bullet hell 2D numa sala.
Foram mais de 12 horas de combate e exploração que passaram sem perceber, me perdendo e explorando. Poderiam ser um pouco mais se quisesse fazer 100%, mas sem forçar muito devo ter acabado em 96%. Quando a proposta é competente e tem um level design de salas interessante, é fácil não se importar em procurar mais e mais atrás de segredos. Espero muito que o próximo não leve mais 10 anos para sair.

Parte técnica
Aggelos 2 mantém a aparência dos gráficos na era do 16-bits, mas tem aquela modernizada para nova definições, e o resultado são cenários cheios de bons detalhes e texturas, com fundos que fazem referência ao famoso mode seven, efeitos parallax e, claro, cenários mais simples dos clássicos Wonder Boy. Porém não ache que só por serem referências, não são originais. Efeitos, partículas, personagens e animações são um deleite para quem curte essa direção artística ou, como eu, é fã da franquia Wonder Boy clássica, principalmente com essa mistura de recursos modernos, que fazem os modelos parecerem em pixel mas sem dar aquela impressão de pixel esticado na tela. Além disso, a diversidade de inimigos mostra muito isso, principalmente os chefes. Deixo destaque para o menu de pausa, que é sensacional.
A trilha sonora é viciante, e cada música passa uma vibe muito boa para ajudar na imersão. Começando com uma música que dá o tom de início de jornada e vai mudando e aprofundando conforme chegamos em uma nova área, não tem uma que cansei de ouvir.
Os controles são ótimos e respondem muito bem. Muito mais que fluido: é um dos melhores controles de jogo do gênero que joguei em muito tempo, e como falei antes, quanto mais você entende e lembra do funcionamento das mecânicas, mais fácil ele se torna. As habilidades que chegam têm muitos bons usos em combate e refinam a experiência de quem sabe usar o potencial máximo do Aggelos, principalmente em partes mais avançadas do jogo ou no modo difícil.



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