A reconstrução visual de The Legend of Zelda: Ocarina of Time para Nintendo Switch 2 não teve como objetivo simplesmente transformar o clássico de Nintendo 64 em um jogo com gráficos mais realistas. Em vez disso, a Nintendo buscou desenvolver uma identidade artística que preservasse a atmosfera e as características dos personagens originais.
Na segunda parte do Pergunte ao Desenvolvedor, volume 24, HokWai Ng, diretor do remake, explicou que a equipe estabeleceu um princípio para orientar todo o desenvolvimento: “O visual pode mudar, mas a experiência não.”
Aya Shida, diretora de arte do projeto, contou que a capacidade gráfica do Nintendo Switch 2 inicialmente levou os desenvolvedores a considerar a criação de um mundo exuberante e detalhado, com aparência de um lugar que realmente poderia existir. Entretanto, reproduzir a realidade não era o único objetivo.

Shida observou que Hyrule possui cenários belos, mas também um pano de fundo sombrio, enquanto muitos de seus habitantes apresentam personalidades animadas e vibrantes. Para ela, esse contraste contribui para a atmosfera misteriosa, quase como um sonho, que caracteriza Ocarina of Time.
Para encontrar uma linguagem visual adequada, a equipe utilizou referências como a sensação transmitida por teatros de fantoches e o aspecto artesanal de filmes produzidos com efeitos especiais manuais. Segundo Shida, essas formas de expressão não precisam reproduzir fielmente a realidade para convencer o público de que seus personagens pertencem àqueles mundos de fantasia.
O processo começou com esboços de Link, Zelda e outros personagens, além da construção de um modelo tridimensional da Grande Árvore Deko. A equipe trabalhou cuidadosamente a iluminação e as texturas para que o personagem transmitisse a sensação de estar vivo e servisse como referência para o mundo que pretendia criar.
Hidemaro Fujibayashi também comentou que as limitações do Nintendo 64 levaram os desenvolvedores originais a utilizar movimentos exagerados e características físicas marcantes para destacar a personalidade dos personagens. Segundo ele, reproduzir esses elementos exatamente da mesma maneira com a tecnologia atual poderia resultar em personagens assustadores.

Por isso, os artistas procuraram preservar a familiaridade dos habitantes de Hyrule, inclusive suas silhuetas e características reconhecíveis à distância, sem necessariamente reproduzir todos os detalhes dos modelos antigos.
Shida explicou que os novos designs podem parecer bastante diferentes quando colocados lado a lado com os originais, mas a intenção era que os jogadores ainda reconhecessem os mesmos personagens, mesmo depois de 28 anos.
O trabalho também envolveu reconstruir individualmente personagens e inimigos, considerando suas personalidades, movimentos e os motivos de estarem em determinados lugares. A equipe procurou incorporar essas características ao novo mundo, utilizando os recursos tecnológicos disponíveis atualmente.
The Legend of Zelda: Ocarina of Time será lançado exclusivamente para Nintendo Switch 2 em 5 de novembro de 2026.



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