Beyond the Dark: Nightwatch é um game de terror cooperativo para duas pessoas, construído em torno de uma experiência assimétrica. Enquanto uma pessoa explora uma casa assustadora em busca de pistas, objetos e uma saída, a outra acompanha tudo por um sistema de câmeras, utilizando ferramentas de vigilância para orientar seu parceiro e ajudá-lo a sobreviver à entidade que persegue os dois.
Uma proposta cooperativa diferente de tudo

A ideia de Beyond the Dark: Nightwatch é muito interessante. Nunca havia jogado algo exatamente assim: uma pessoa controla o personagem humanoide que explora o ambiente, foge da entidade e realiza tarefas além de resolver puzzles, enquanto a outra assume o controle de um robô responsável por monitorar as câmeras. São duas perspectivas completamente diferentes, mas que dependem uma da outra para avançar.
O jogador responsável pelo robô tem várias funções importantes, como transferir itens do inventário para o explorador — decisão burocrática, mas ok —, atrair a atenção da entidade para evitar que seu parceiro morra e indicar caminhos, objetivos e a localização de objetos. É uma dinâmica que exige comunicação constante e cria uma experiência cooperativa bastante original. A proposta é, sem dúvida, o maior atrativo aqui.
Uma experiência que não demora a ficar repetitiva
Infelizmente, a execução não acompanha nem de longe a qualidade da ideia. O ciclo de exploração, tarefas e fuga acaba ficando repetitivo em questão de minutos, especialmente porque morrer significa começar novamente. Para piorar, você precisa assistir à mesma introdução do personagem acordando na cama a cada tentativa, algo que rapidamente se torna cansativo.
Os controles também deixam bastante a desejar. Movimentar o personagem é estranho, desajeitado, pouco responsivo e, em alguns momentos, bastante incômodo. Até mesmo uma ação simples como se esconder em um armário exige duas etapas: entrar manualmente e depois fechar a porta. É um tipo de interação desnecessariamente complicado que quebra o ritmo da experiência. Resolver os puzzles também exige que o jogador controlando o robô envie os itens, o que cria um passo a mais sem motivo plausível — além de deixar as coisas mais ramificadas.
Um jogo de Switch 2 que decepciona

Visualmente, Beyond the Dark: Nightwatch é bastante fraco. Os gráficos lembram aqueles ports ruins de Switch 1, com baixa resolução e uma apresentação que deixa muito a desejar. Fiquei realmente surpreso ao descobrir que o jogo exige um Switch 2, considerando o resultado técnico apresentado. É difícil entender por que um título exclusivo do console não entrega algo visualmente mais convincente.
Pelo menos, o game faz bom uso do GameShare, permitindo compartilhar a experiência com outra pessoa sem exigir que ambos comprem o título completo. Entretanto, durante meus testes, a conexão via GameShare apresentou muitos engasgos para o segundo jogador — mesmo estando ambos na mesma sala. A experiência online funcionou consideravelmente melhor, sendo a opção que recomendo para quem pretende jogar com outra pessoa.
Uma ideia que merecia um jogo melhor
Beyond the Dark: Nightwatch apresenta uma proposta cooperativa realmente diferente, com duas perspectivas que se complementam e exigem comunicação constante. É uma pena que os controles pouco responsivos, a repetição das tentativas e a apresentação visual fraca prejudiquem tanto a experiência. O GameShare é uma adição muito bem-vinda, mas os problemas de desempenho nessa modalidade também acabam diminuindo seu potencial e tornam o produto difícil de recomendar.
Chave de análise gentilmente cedida pela Atlantis Studio
Veredito – Universo Nintendo
Fique tenso, mas por motivos errados
Pontos fortes
- Conceito cooperativo assimétrico muito original
- Duas perspectivas e funções diferentes que exigem comunicação constante
- O jogador responsável pelo robô pode compartilhar itens, distrair a entidade e orientar o explorador
- Bom uso do GameShare do Switch 2
- Modo online funciona melhor do que o GameShare nos meus testes
Pontos de atenção
- Gráficos fracos, com baixa resolução e aparência de um port malfeito de Switch 1
- Exigência de Switch 2 difícil de justificar diante da qualidade visual
- Ciclo de jogo repetitivo e reinício após morrer
- Repetição obrigatória da introdução a cada tentativa
- Controles pouco responsivos e movimentação incômoda
- Ações simples, como entrar e fechar um armário, são divididas em etapas desnecessárias
- Muitos engasgos para o segundo jogador durante o GameShare


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