Double Dragon Revive tenta trazer de volta o espírito dos beat ‘em ups dos anos 80 e 90, em que dois irmãos resolviam tudo com socos pelas ruas cheias de delinquentes. A ideia é ótima — uma releitura moderna de um dos nomes mais emblemáticos do gênero —, mas o resultado final acaba misturando boas intenções com problemas sérios de execução. Ainda assim, há rastros do que tornou a franquia tão marcante, especialmente no sistema de combate e no carisma.
Golpes, defesas e frustrações

Logo de cara, dá pra notar que o game tenta inovar na sua proposta. Em vez do clássico botão único de ataque, há combinações de golpes, botões de ataque variados e até um comando dedicado à defesa — algo raro no gênero, apesar de óbvio. Isso adiciona camadas interessantes de estratégia, principalmente em confrontos contra múltiplos inimigos. Também há golpes especiais devastadores que preenchem a tela e dão aquela sensação de poder que todo bom beat ‘em up precisa ter (apesar de bem feios e toscos).
Mas o entusiasmo não dura muito. O sistema de colisão é desastroso, com hitboxes mal configuradas que tornam quase uma luta acertar inimigos em ângulos diagonais. As lutas, que deveriam ser fluidas, acabam parecendo uma sequência de tentativas frustradas de conexão. E, como se não bastasse, o comando de defesa simplesmente não funciona contra alguns golpes em chefes, o que transforma as batalhas mais importantes em um exercício de paciência.
Tentando ir além da pancadaria

Double Dragon Revive também tenta expandir sua fórmula tradicional ao incluir momentos de plataforma e pequenas variações no ritmo das fases. Infelizmente, essas seções são muito básicas e parecem mal testadas, com pulos imprecisos e áreas que dependem mais da sorte do que da habilidade do jogador.
Há, no entanto, boas ideias escondidas nesse caos. O elenco de personagens desbloqueáveis é grande, e o jogo ainda oferece dublagem completa, o que ajuda a conferir um mínimo de personalidade às lutas. O problema é que, apesar da variedade de rostos, todos os personagens compartilham exatamente o mesmo conjunto de movimentos — apenas as animações mudam. A sensação é de desperdício um enorme potencial de diversidade e profundidade.
Trilha genérica boa, desempenho lamentável

A parte sonora é uma das que salva. A trilha tenta evocar o estilo retrô da série original e acrescenta camadas de guitarra elétrica e batidas bem groovy. O som das pancadas é satisfatório, e as vozes dão um toque nostálgico, mas, sem dúvida, a música causa bem mais impacto. São músicas essas, possíveis de se escutar enquanto trabalha ou algo do tipo. Recomendo fortemente a Across the River (da Fase 2) e a Under the City (da Fase 5).
E no Switch 1, a situação, visualmente, é desastrosa. O desempenho é inconsistente, com quedas visíveis na taxa de quadros e uma aparência geral muito aquém do esperado. Texturas borradas e ultrapassadas, bordas serrilhadas e iluminação pobre fazem o port parecer inacabado. A sensação de atraso nos comandos agrava o problema — o jogo parece lento nas respostas, no geral, o que quebra completamente o ritmo de um gênero que depende tanto da precisão.
Uma tentativa que precisava de mais treino
Double Dragon Revive é um exemplo clássico de um bom conceito mal executado. O esforço de trazer um sistema de combate mais complexo e o retorno de uma franquia querida merecem reconhecimento, mas a má configuração de colisões, o controle impreciso e o desempenho fraco acabam soterrando qualquer brilho. É um revival que tinha tudo para reacender a chama da pancadaria retrô, mas tropeça nas próprias pernas antes de chegar lá e de modernizar a experiência. Pessoalmente, ainda prefiro ficar com Double Dragon Gaiden, lançado há alguns anos, que apresentou um estilo mais “desenho animado” pra série e certamente tem mais qualidade.
Cópia de Switch cedida gentilmente pela Arc System Works
Double Dragon Revive
Editora: Arc System Works
Desenvolvedora: YUKE'S
Tipo de Mídia: Digital
Lançamento: 23/Out/2025
Plataformas:



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