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Análise

Análise – Epic Mickey Rebrushed

Uma viagem nostalgica que não vale muito a pena

por Jason Ming Hong
26 de novembro de 2024 às 16:48
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Mickey Mouse é um dos maiores ícones da cultura pop, conquistando gerações desde sua criação por Walt Disney há quase um século. No entanto, em Epic Mickey, lançado originalmente para o Wii em 2010, o personagem foi levado para um mundo bem mais sombrio de personagems esquecidos. Agora, com a chegada de Epic Mickey: Rebrushed, a versão remasterizada da aventura para Nintendo Switch e consoles modernos, todos têm a oportunidade de revisitar o game com gráficos renovados e algumas melhorias. Porém, nem tudo são flores.

Uma aventura nostalgica

Epic Mickey tem conceito interessante, mas execução fraca
Epic Mickey tem conceito interessante, mas execução fraca

A trama começa quando Mickey, curioso como sempre, se vê transportado para uma dimensão criada pelo mago Yen Sid. Lá, o camundongo, em um momento desastrado, derrama solvente em um mundo mágico feito de tinta, criando o mais completo caos. Anos depois, Mickey é sugado de volta para essa realidade e precisa enfrentar as consequências de suas ações.

Embora a história tenha uma premissa interessante, não houve mudanças significativas em relação ao original, o que pode ser decepcionante para quem já jogou a versão do Wii anos atrás. As cenas animadas continuam sem dublagem, o que me passou uma sensação absurda de desleixo visto que se trata de um produto Disney. Mesmo com legendas, a ausência de vozes prejudica demais a imersão e me parece estar ouvindo sons abafados por causa dos grunhidos que tomam o lugar de diálogos dublados. E olha que normalmente não me importo com coisas do tipo. Porém, aqui a qualidade sonora fica bem aquém.

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A magia da tinta (e do thinner)

A mecânica cerne de tinta e tiner satura rapidamente
A mecânica cerne de tinta e tiner satura rapidamente

A mecânica principal de Epic Mickey: Rebrushed gira em torno do uso de um pincel mágico, que permite manipular o ambiente de duas formas: adicionando tinta para criar objetos ou plataformas, ou usando solvente para apagá-los. Essa mecânica funciona bem até certo ponto, depois mostrando o quão subutilizada e repetitiva ela é. É possível transformar inimigos em aliados ao cobri-los com tinta ou simplesmente eliminá-los com solvente, mas quando você faz coisas do gênero horas a fio, tudo se torna bem chato.

A duração da campanha, que varia entre 15 e 20 horas, acaba elevando a repetividade a enésima potência. As batalhas se tornam previsíveis, e os itens adicionais, como “sketches” (que criam habilidades adicionais como a de distrair inimigos), não oferecem uma profundidade que adiciona à mecânica cerne. As batalhas contra chefes são o único ponto alto, desafiando você a usar o ambiente e o pincel de forma criativa. No mais, o mundo semi-aberto com objetivos que exigem abrir o mapa a todo momento faz com que as coisas fiquem bem maçantes e vagas. Preferia ter tido uma seta na tela apontando o próximo objetivo.

Um parque temático sem cor e digno de pesadelo infantil

Design de inimigos deixa a desejar
Design de inimigos deixa a desejar

Um dos maiores destaques de Epic Mickey: Rebrushed é o design dos cenários. Cada área é cuidadosamente construída, misturando nostalgia com uma atmosfera sombria que contrasta com o tom habitual alegre e colorido da Disney. Muitos cenários remetem à magnífica Disneyland, mas em um tor bastante sombrio, com áreas repletas de segredos e itens colecionáveis, como artes conceituais e curtas animados clássicos da Disney.

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Infelizmente, o sistema de progressão aqui impede o retorno a áreas anteriores após certos eventos da história, o que pode frustrar quem gosta de explorar todos os detalhes e completar coleções. A linearidade acabou sendo um ponto negativo.

Elementos de plataforma são Ok
Elementos de plataforma são Ok

As fases em 2D, acessadas por meio de portais em telas de projeção, são outro ponto bacana. Inspiradas em curtas-metragens clássicos como Steamboat Willie e Fantasia, essas fases trazem uma dose de charme e nostalgia que cativa tanto fãs de longa data da Disney quanto novos jogadores.

Por fim, Epic Mickey: Rebrushed faz um bom trabalho ao modernizar os gráficos, mas isso é tudo. As texturas borradas da versão de Wii deram lugar a visuais mais nítidos, com suporte para resolução 4K e uma paleta de cores mais vibrante, mas não no Switch. A taxa de quadros aqui é de 30 fps, o que contribui para uma experiência menos fluída, acompanhada de problemas de desempenho, como quedas ocasionais de frame rate e visuais borrados. A câmera, que era um dos principais problemas do título original, foi aprimorada, mas ainda pode ser inconsistente.

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Revisitar só pela nostalgia

Epic Mickey: Rebrushed é uma oportunidade de redescobrir uma das aventuras mais únicas da Disney em um novo contexto. A atmosfera sombria, o design de cenários inspirados e as fases em 2D repletas de nostalgia são os pontos mais fortes do título, enquanto o sistema de tinta continua oferecendo momentos bacanas até certo ponto. Porém, a ausência de dublagem é lamentável, sem falar na repetição que mostra as limitações da mecânica de tinta e tiner em pouquíssimo tempo. Talvez agora resta esperar pela remasterização da sequência, na qual é possível jogar em duas pessoas no mesmo console, o que melhora um pouco a experiência em comparação ao início da duologia.

Jogo fornecido para análise pela THQ Nordic.

Epic Mickey Rebrushed capa
Epic Mickey: Rebrushed
Veredito
O game é uma oportunidade de conhecer uma das aventures mais únicas da Disney nos video games. Porém, as mecânicas cerne saturam rapidamente e são mal executadas, sem falar da performance e resolução no Switch que deixam a desejar.
Prós
Conceito interessante de pintura e tiner
Personagens clássicos fazem aparição
Direção de arte diferente dos outros jogos do personagem
Contras
Performance ruim e gráficos borrados
Muito mais repetitivo do que eu lembrava
Ausência de dublagem é ridículo
6
Um conceito mal utilizado
Tags: Epic Micket RebrushedReview


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