GIGASWORD é projeto de um solo dev apenas conhecido como Jack, responsável por tudo no Studio Hybrid, e publicado pela Akupara Games. Ele classifica GIGASWORD como um metroidvania de ação e quebra-cabeça em que o jogo se reveza entre usar e guardar uma espada gigante e, bem em suma, é isso. Sua inspiração parece vir de clássicos, não só como Metroid, claramente, mas também Legend of Zelda. Criado em financiamento coletivo, ele tem aquele potencial de indie que vem do nada e entrega muito. Porém não foi bem assim.
Gnosis, nocturnes e GIGAWORD
Em meio uma guerra de poder entre humanos e nocturnes, Erza, um jovem que vive na rua, herda a espada de Omari, um nocturne que cuidava dele, mesmo que o contato com humanos fosse proibido, e morre em seus braços. Jurando vingança, Erza adentra o território dos nocturnes atrás dos humanos que invadiram, procurando o segredo da prosperidade dos nocturnos: o Gnosis.
Com uma espada claramente que não foi feita para seres humanos, revezamos entre combates e quebra-cabeças, onde 90% do tempo é para achar uma chave pequena que abre outra porta que vai te levar a outra busca por outra chave pequena. O básico de backtracking de metroidvanias, mas aí vem o primeiro problema: isso satura muito fácil, não só pelo fato de que quase todas as recompensas pelos quebra-cabeças são chaves menores, mas também porque parece trabalho demais e recompensa de menos.
Os quebra-cabeças vão escalonando mais e mais, porém o resultado é sempre o mesmo. Você pode estar pensando agora que isso é normal ou nada demais, porém os quebra-cabeças não são o único obstáculo, temos inimigos também, que da mesma forma, escalonam mais do que o personagem, já que a nossa força se limita à espada e algumas habilidades que adquirimos; como ela claramente não foi feita para o nosso protagonista, isso deixa as coisas um tanto quanto trabalhosas demais.

O combate com a GIGASWORD realmente não tem muito o que falar. De base, temos apenas um ataque básico com a espada. Podemos realizar um combo de 3 ataques e conforme avançamos, achamos e podemos comprar algumas melhoras. Aqui voltamos na questão do desbalanço e escalonamento. As habilidades que encontramos são muito mais elementos novos para resolução de novos quebra-cabeças do que melhoras de combate, enquanto as compradas são novos recursos de combate, porém são caros e cada vez que compra um item, aumenta o preço de todos os outros. Além disso, a maior parte é de ataques que usam mana ou têm uso limitado, nada que melhore força ou velocidade, tanto que pensei que poderia estar escondido em outro sistema, o das plumas, mas esse aumenta vida, bem como outro secreto, onde você encontra coelhos e entrega cenouras: isso mesmo, duas missões de coletáveis diferentes que fazem a mesma coisa.
No início, por mais limitador que usar uma espada maior que você seja aplicado de forma bem realista, essa falta de evolução acaba criando uma dificuldade bem artificial, a ponto de que passei a só esquivar dos inimigos e seguir pelas salas, já que valia mais evitar danos do que coletar minérios para recompensas.
Falando em minérios, eles usa um sistema bem parecido com souls likes: se você morrer, um baú aparece na sala com tudo que coletou… na maioria da vezes. Porque devido a algum erro de programação, algumas localidades não estão gerando esse baú. Embora durante essa análise, GIGASWORD tenha sido atualizado algumas vezes com promessas dessa correção, isso aconteceu em alguns lugares, mas não em todos.
Depois de perder todos os mineiros pela quinta vez, e estando na área final, eu decidi que a humanidade corrompida pelo Gnosis venceu; os quebra-cabeças dão cada vez mais trabalho, só os inimigos ficam mais fortes, e o level design é feito todo pra te fazer cair em armadilhas, a ponto que eu já estava saturado. Eu até gostei do enredo, e o clima de melancolia e vingança por seu amigo me motivou por um tempo, mas os problemas levaram essa motivação embora. Ainda mais porque não tem nenhum meio de otimizar a exploração por conta da falta de uma viagem rápida, porque os inimigos retornam ao salvar ou carregar uma nova área e, por incrível que pareça, nenhum chefe consegue ser frustrante, com alguns sendo até fáceis demais.

Parte técnica
Graficamente, GIGASWORD tem um visual bem interessante que parece pixel arte de 16-bits, mas claro com aquela modernidade, com mais detalhes e animações. Cheio de referências claras a Castlevania, que vão desde inimigos caveiras que disparam tiros, até a postura do protagonista em alguns momentos. Aliás, os inimigos têm uma boa variedade e detalhamento, como demônios de carne e caveiras laser de parede, quase dão um toque a mais de horror no jogo. Apesar de ser um grande cenário, a torre de Gnosis conta com uma boa variedade de biomas, mesmo que sempre com a mesma cara de castelo.
GIGASWORD tem alguns problemas em relação ao controles: o combate é imensamente pesado, porque além da inteligência dos inimigos ser maior que os nossos recursos, os mesmo acabam tendo mais vantagens que o jogador na maior parte do tempo. Em certo ponto do jogo, conseguimos o ataque carregado, que serve para quebrar escudos e algumas paredes, porém é demorado, difícil de acertar, e se você for acertado a qualquer momento entre o inicio do carregamento e a execução do golpe, ele é cancelado. Também não adianta tomar distância, pois todos os inimigos que andam ou têm algo para diminuir a distância ou atacar de longe, o fazem o suficiente para te atrapalhar, e o resultado era que eu simplesmente só desviava de inimigos com escudo e ia embora, porque nem pelas costas você conseguiria acertá-los.
Quando se tem um desse por sala, até dá pra levar, mas existem salas inteiras só com mais de 10 inimigos variados, sem espaço para respira: é inimigo que atira projéteis que atravessam o cenário, é outro que teleporta, um que gera mais inimigos, e por aí vai. Se ele ao menos tivessem uma certo limite para ativarem, seria um pouco mais razoável, mas parece que eles ativam no exato momento que você entra na sala. E se juntarmos os problemas técnicos com a perda de recursos, fica bem mais frustrante.
GIGASWORD
Editora: Akupara Games
Desenvolvedora: Studio Hybrid
Tipo de Mídia: Digital
Tamanho do Arquivo: 409 MB
Lançamento (Japão): 13/11/2025
Plataformas:
Opções de Compra:
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