Heroes of Mount Dragon tenta reviver o espírito dos clássicos beat ‘em ups dos anos 2000, misturando progressão de personagens, combates em arena e um toque de RPG. A ideia é promissora: controlar heróis que sobem de nível, aprendem novos golpes e enfrentam hordas de inimigos em missões cooperativas que podem reunir até quatro pessoas. O resultado, no entanto, é um produto que tem bons momentos de ação, mas acaba se afogando na própria repetição.
Combates empolgantes e cooperação funcional

Os combates são o ponto alto. O moveset de cada personagem é variado e cresce à medida que você evolui, o que traz uma sensação genuína de progressão. Cada novo golpe ou habilidade desbloqueada realmente ajuda a diversificar o ritmo das lutas, e o game consegue transmitir bem o impacto dos ataques. O modo cooperativo, por sua vez, é divertido e caótico — especialmente com quatro jogadores simultâneos.
Há um bom ritmo de ação e a curva de aprendizado é suficientemente acessível para agradar fãs casuais de títulos de pancadaria. Entretanto, há uma limitação curiosa: quando um aliado cai em batalha, não é possível revivê-lo. A morte é instantânea, o que frustra nas partidas mais longas e acaba tirando um pouco do propósito de se jogar em grupo.
Um loop de lutas sem fim

Infelizmente, Heroes of Mount Dragon tropeça no design das fases. Tudo segue o mesmo padrão: enfrentar ondas e mais ondas de inimigos, destruir tudo no cenário e seguir para a próxima área. Não há variação significativa entre as missões, e o design dos níveis é plano e previsível, sem seções de plataforma nem enigmas para quebrar a monotonia.
A sensação de repetição é agravada pelo sistema de progressão, que obriga você a subir o nível de cada personagem individualmente. Isso estende artificialmente o tempo de gameplay, sem oferecer um senso real de recompensa ou de novidade. O modo história também não ajuda: os diálogos são apresentados com avatares fixos e textos estáticos, o que interrompe o ritmo da ação e parece mais uma limitação técnica do que uma escolha de estilo.
Visual genérico e falta de polimento

Visualmente, o game tem uma proposta interessante, com personagens que lembram quadrinhos animados, cada qual com sua classe e estilo de jogabilidade. Porém, a execução deixa a desejar. Faltam identidade e refinamento — os modelos parecem reciclados e os cenários, sem profundidade. Além disso, apesar de os personagens poderem se mover em oito direções, os ataques só funcionam em quatro, o que quebra a fluidez do combate.
Somada a isso, o modo online está completamente morto, reduzindo as possibilidades de aproveitar o co-op com amigos em plataformas diferentes. Se não me engano, há apenas crossplay entre os consoles, e o PC ficou de fora. Porém, não encontrei essa informação de forma oficial, e a explicação é um tanto vaga nos fóruns.
Divertido em grupo, cansativo sozinho
Heroes of Mount Dragon tem boas intenções e um sistema de combate que, em certos momentos, é bacana e traz variedade entre longa e curta distância nos personagens. Contudo, a falta de variedade nas fases, o ritmo repetitivo e o visual sem personalidade impedem o indie de alcançar o mesmo patamar de outros beat ‘em ups’ modernos. Em co-op, até pode render boas horas de diversão casual — mas sozinho, a experiência rapidamente se torna cansativa e previsível.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora



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