Um RPG tático de mundo aberto com aço, fogo, amizade e anime shounen.
Nitro Gen Omega é o segundo jogo da dev e publisher DESTINYbit, com uma estética de anime e com vários robôs, é quase autoexplicativo: monte sua equipe e vá para a batalha. Depois de um bom tempo em acesso antecipado na Steam no PC, seu lançamento chegou simultaneamente para os consoles em sua versão “1.0”. Diversas mudanças ocorreram durante esse processo e o primeiro pensamento é que poderia ter ficado mais tempo no forno.
Um mundo governado por máquinas
Em um mundo onde as máquinas criaram consciência e tomaram o controle de tudo, restaram poucas cidades na Terra que se refugiam em locais altos, mas ainda existem pessoas que arriscam suas vidas para conseguir recursos e lutar contra as máquinas e elas são chamadas de … trouxas. Um dos primeiros pontos é que o enredo de Nitro Gen Omega deve ter uma linha a mais do que escrevi acima, sem uma cena, sem um passado desse mundo, sem uma imagem de fundo, apenas uma tela preta e letras; parece um começo bem fraco. Apesar da sequência ser sua equipe montada previamente olhando para o horizonte, fica um pouco sem peso considerando esse início seco. Queria dizer que é só o início, mas esse é o início de muita coisa na verdade.
Nitro Gen Omega mostra muito que é algo que acabou de sair de um acesso antecipado, a história é rala, sua equipe não tem um protagonista e os diálogos não têm peso algum. Apesar de termos inicialmente 4 personagens, que podemos criar previamente ou gerar aleatoriamente, nenhum deles se sobressai de alguma forma, pois o jogo só coloca cada um de forma aleatória para falar nos diálogos, sem sequer colocar os nomes na caixa de texto. Nem mesmo os npcs têm nomes, e se eles se apresentaram alguma vez, dificilmente você vai lembrar dos seus nomes. O pior é que não importa muito também, porque eles só aparecem quando você ativa alguma parte da história de alguma missão, que também acontece de forma bem seca. Você só entra na cidade e já tem uma caixa inteira ali com texto; perdi algumas informações por conta disso, mas nada muito importante.

O enredo em si não é ruim, apesar de meio clichê, mas a falta de alguém à frente, seja um piloto-chefe, um capitão de frota ou o que for, faz um pouco de falta. Não apenas para a narrativa, mecanicamente também faz falta. Nossa equipe não trabalha para ninguém, mas todos recebem salário da equipe, e quem paga? São necessários 4 pilotos, mas quem fica com a nave de viagem quando estamos em combate? São pequenos detalhes, mas que fazem falta, principalmente por conta de várias coisas a se considerar na convivência deles para o trabalho de equipe.
Falando em combate, o de Nitro Gen Omega é bem intrigante, é a melhor ideia de como gerenciar um mecha que eu já vi em um jogo: cada um dos 4 pilotos gerencia uma parte do robozão: artilharia, engenharia, suporte e condução. Cada função tem recursos a serem usados de acordo com as peças equipadas, e a ideia é muito mais que se mover e atirar; é necessário gerenciar recursos, como as balas e mísseis, evitar superaquecimento resfriando o sistema, escanear a área para saber os planos dos inimigos, e por aí vai.
Outra coisa interessante é como tudo é executado: uma linha do tempo é usada para mostrar a ordem que queremos fazer cada ação e conforme fazemos, os adversários também vão fazendo até aquela linha ser terminada e ir para fase de resolução, onde toda aquela linha de acontecimentos é resolvida de acordo com o tempo e forma como foram alocados, que podem acontecer ou não dependendo de como as ações se desenrolam. Durante a fase de preparação, as ações dos inimigos são mais genéricas, mas aqui é mais detalhado: um movimento pode ser perseguir um alvo, um ataque pode ser à distância, de perto ou em área, enfim, é essencial tentar antecipar os movimentos do inimigo para não acabar derrotado ou incapacitar um dos seus pilotos, que pode até não voltar para casa depois do combate se estiver muito machucado. Aqui entra outro ponto, a quantidade de microgerenciamentos.
Nitro Gen Omega é mais do que apenas gerenciar um mecha; temos que gerenciar muitas coisas dentro e fora do combate. O fato disso ser algo muito importante torna as coisas um pouco maçantes, porque tudo que fazemos gera uma oscilação nas coisas.

Lutas ajudam a aumentar a habilidade do piloto naquela função que ele desempenha, mas também geram cansaço, e podem gerar ferimentos que necessitam que o piloto tenha que ficar de fora do robô ou fazer uma atividade dentro da nave para diminuir o cansaço. Além disso eles precisam fazer outras atividades para ficar de bom humor, criar amizades ou inimizades, a nave precisa de combustível, etc, então lembre-se de abastecer os recursos nas cidades. O robô pode precisar de reparos depois da batalha, então lembre-se de reparar antes da próxima. As atividades usam cartões dados ao fim de uma luta, mas elas só podem ser feitas uma vez depois de cada luta e há um número limitado de pessoas que podem fazer.
Assim como esse trecho é informação demais, o maior benefício é que todos conseguem pilotar normalmente, e mesmo com tudo isso, ainda pode mudar em campo, pois além do humor e cansaço, o estado mental pode mudar em batalha por acontecimento em batalha como receber muito dano ou fazer alguma ação que possa pôr a equipe em perigo.
Também falta um pouco de fluxo em Nitro Gen Omega. Apesar dos tutoriais em batalha serem bem feitos, em outros lados nem tanto. Um robô precisa de melhorias, e com o tempo, chegam peças novas e até ensinam como trocá-las, mas como elas funcionam, por outro lado, não. Coisas como armadura, modelo e o gerenciamento de energia são totalmente deixadas de lado e podem acabar fazendo você gastar seu dinheiro em uma peça que não serve ou que não pode ser usada. Além de tudo, trocar de modelo parece ser uma tarefa árdua: mais de 50 horas juntando recursos e forças para descobrir que, além de grana, precisamos passar por missões bem mais difíceis, o que é uma pena, pois ia ajudar a dar uma diferenciada nas batalhas, já que mesmo com ataques novos, começaram a ficar monótonas com baixa variedade de inimigos, além da vida maior de inimigos mais fortes prolongar muito mais as batalhas.
Parte técnica
Os gráficos de Nitro Gen Omega são até bem bonitos em batalha: mesmo que o estilo “anime 3D” não seja o meu favorito, é bem feito, mas, de novo, falta trabalhar em outros locais. Os cenários de batalha são muito vazios, e o mapa aberto tem uma definição péssima nas texturas. Por outro lado, as cidades, lojas e animações de eventos são muito boas.
A trilha sonora é muito boa, só não muito variada quando o assunto é música de batalha. Apesar das áreas e cidade terem várias, as de batalha se limitam a duas, que são bem intensas e até um pouco grudentas, volta e meia, ficam ecoando na minha cabeça, mas é tão boa que não me incomoda. Falando nisso, um pouco de dublagem cairia bem em algumas horas, como no karaokê ou em alguns eventos aleatórios.

Nitro Gen Omega no final me parece um pouco cru demais para um jogo que saiu de um acesso antecipado. Falta muito polimento em algumas questões básicas; testei nos dois consoles da Nintendo, e não tem muita diferença além da velocidade de carregamento bem superior no Nintendo Switch 2.
No final, a sensação que fica é que tudo parece um pouco trabalhoso e exaustivo demais. Queria estar mais empolgado, mas ficou bastante a desejar na minha opinião. Nitro Gen Omega poderia ser muito mais se fosse mais dinâmico em partes que não são de combate e com mais variedade de combate de início. Talvez daqui a um ano esteja bem melhor, e é por isso que darei um voto de confiança com uma nota que devia, porque sei que para muitos devs indies, o lançamento é só o começo e muitas melhorias devem vir.
NITRO GEN OMEGA
Editora: 2P Games, Beep Japan, DESTINYbit
Desenvolvedora: DESTINYbit
Tipo de Mídia: Digital
Lançamento: 12/Mai/2026
Plataformas:
Opções de Compra:
Nintendo eShop



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