Ship of Fools é um roguelike (ou roguelite, porque você não perde o progresso) cooperativo que te joga, literalmente, no meio do oceano — e no caos. O game coloca dois marinheiros desastrados em um navio cercado de perigos marítimos, monstros grotescos e tempestades constantes. O objetivo é sobreviver a cada travessia, proteger o casco do barco e, se possível, derrotar chefes colossais. A cada tentativa frustrada, novas armas e melhorias são desbloqueadas, mantendo o ritmo de descoberta e progressão. O charme visual é imediato: o estilo 2D pintado à mão lembra títulos como Don’t Starve, mas com cores mais vibrantes e um toque náutico que dá identidade própria. Há um equilíbrio curioso entre o fofo e o aterrorizante — e isso combina perfeitamente com o tom cômico adotado aqui.
Cooperação ou afundamento

O coração do jogo é o co-op. Cada jogador precisa administrar partes diferentes do navio: carregar balas, atirar, apagar incêndios, reparar o casco, e ao mesmo tempo lidar com inimigos surgindo de todos os lados. A sinergia entre dupla é o que define o sucesso da run, e a sensação de vitória é recompensadora quando tudo finalmente dá certo.
O sistema de upgrades é outro destaque. Ao progredir, você pode automatizar parte da defesa do barco, com canhões que miram e disparam sozinhos. Isso ajuda a aliviar a carga de microgestão — um detalhe bem-vindo em meio ao caos marítimo.

Além disso, é possível reparar o navio visitando pontos de parada no mapa, onde se pode comprar ou, simplesmente (quando temos sorte), coletar madeira para conserto. O ciclo de risco e recompensa entre viagens é viciante e mantém o jogo fresco mesmo após dezenas de tentativas.
Alguns desafios que beiram a frustração

Embora o desafio seja parte essencial do gênero, às vezes Ship of Fools exagera. O game pode despejar ondas excessivas de inimigos, tornando a derrota inevitável independentemente da habilidade ou da estratégia da dupla. Essa curva de dificuldade irregular pode frustrar, especialmente quando a perda de uma run/sessão de jogo parece injusta.
Outro ponto que limita o potencial do game é a restrição do co-op a apenas dois jogadores. Mesmo online, o máximo é uma dupla, o que é curioso para um produto que brilha justamente na cooperação. Para completar, não há crossplay — e os próprios desenvolvedores já afirmaram que não planejam adicioná-lo no futuro.
Um mar de diversão em dupla
Ship of Fools é uma das experiências cooperativas mais divertidas e tensas dos últimos anos. Ele brilha quando dois jogadores entram em sintonia, equilibrando caos, humor e estratégia num ritmo viciante. O sistema de progressão, o visual encantador e as pequenas descobertas em cada run garantem longevidade. Por outro lado, a dificuldade desbalanceada e a limitação a dois jogadores deixam o potencial parcialmente subaproveitado. Ainda assim, se você tem um parceiro de aventuras disposto a enfrentar monstros marinhos e muita confusão, Ship of Fools é um excelente mergulho no gênero roguelike.
Análise realizada com uma chave gentilmente cedida pela editora



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